O Instituto Tomie Ohtake apresenta a exposição Quando o museu é rio, uma mostra que desloca o olhar tradicional sobre museus ao propor uma leitura dinâmica, viva e interligada entre arte, ciência e território. Em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, o projeto reúne artistas contemporâneos e acervos científicos para investigar como se constroem as narrativas sobre a Amazônia hoje.
Aberta ao público de 26 de junho a 16 de agosto de 2026, a exposição surge a partir das reflexões iniciadas no projeto Um rio não existe sozinho, realizado em 2025 em Belém. A proposta agora se expande, ocupando o espaço expositivo como um território de encontros entre diferentes formas de conhecimento — acadêmico, artístico e ancestral.
O museu como organismo vivo
Com curadoria de Ana Roman, Sabrina Fontenele e Vânia Leal, e curadoria científica de Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, a mostra propõe uma inversão de lógica: o museu deixa de ser visto como um espaço fixo de preservação do passado e passa a ser entendido como um campo em constante transformação.
A imagem do rio aparece como eixo conceitual central. Assim como os rios conectam territórios, atravessam fronteiras e transformam paisagens, a exposição sugere que os museus também operam como fluxos — espaços de circulação, troca e reinvenção.
Ao conectar territórios distintos, atravessar fronteiras e reorganizar continuamente a paisagem, o rio produz zonas de encontro, deslocamento e transformação
Nessa perspectiva, os acervos deixam de ser compreendidos como registros estáticos e passam a atuar como matéria viva, capaz de gerar novas leituras e futuros possíveis.
Arte, ciência e saberes em diálogo
A exposição reúne obras de Déba Tacana, Elaine Arruda, Estúdio Flume, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa, artistas que dialogam diretamente com questões territoriais, ambientais e culturais da Amazônia.
Ao lado das produções artísticas, o público encontra materiais científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos provenientes do acervo do Museu Goeldi. Essa convivência entre linguagens amplia o entendimento sobre o que constitui conhecimento e como ele é produzido.
Entre os destaques estão o Acervo Didático Emília Snethlage, pesquisas sobre pinturas rupestres amazônicas, o projeto Replicando o Passado — desenvolvido com ceramistas do Pará e do Amapá — e estudos sobre fósseis de preguiças-gigantes encontrados na região.
Conexões que atravessam tempos e territórios
Além dos acervos históricos, a mostra incorpora projetos contemporâneos, como o Esecaflor, que investiga os efeitos das mudanças climáticas na Floresta Amazônica. A presença desses estudos reforça o caráter atual e urgente das discussões propostas.
A atuação do Museu Goeldi junto a povos indígenas também ganha destaque, especialmente nas reflexões sobre classificação, organização e circulação de acervos etnográficos. O debate aponta para a necessidade de revisão de práticas institucionais e para a valorização de outras formas de conhecimento.
Um museu permite, promove e alimenta conexões entre pessoas, saberes e territórios, transformando o particular em coletivo
A ideia de conexão atravessa toda a exposição: entre humanos e não humanos, entre passado e futuro, entre ciência e espiritualidade. O museu, nesse contexto, se aproxima de um ecossistema — um espaço que respira, abriga e se transforma continuamente.
Seminário amplia o debate
A abertura da exposição acontece em diálogo com o seminário Quando o museu é: acervos e futuros, realizado nos dias 25 e 26 de junho. O encontro reúne pesquisadores, artistas, curadores e profissionais de museus para discutir o papel dos acervos nas instituições contemporâneas.
Organizado em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, o seminário articula debates sobre patrimônio, práticas curatoriais, circulação de coleções e processos de criação artística.
A programação conecta experiências amazônicas com iniciativas de outras regiões do país, ampliando o campo de reflexão sobre os desafios e possibilidades dos museus no presente.
Mais informações: https://www.institutotomieohtake.org.br/
Serviço
- Quando o museu é rio
- 26 de junho a 16 de agosto de 2026
- De terça a domingo, das 11h às 19h (última entrada até 18h)
- Entrada franca
- Instituto Tomie Ohtake
- Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros SP
- Metrô mais próximo: Estação Faria Lima / Linha 4 – Amarela
- Telefone: 11 2245 1900
- Site: https://www.institutotomieohtake.org.br/
- Instagram: @institutotomieohtake
- Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake
- YouTube: https://www.youtube.com/@tomieohtake













