A exposição A Arte de Ser Artista ocupa a Casa das Artes, em São Gonçalo, com 100 desenhos de alunos de 7 a 72 anos, destacando o processo de formação artística e a convivência entre gerações como eixo central da mostra.
A proposta da Escola de Desenho Esboço Artes, responsável pela mostra com apoio da Secretaria de Turismo e Cultura, é transformar a experiência de aprender a desenhar em um espaço público de encontro, onde crianças, jovens e adultos compartilham trajetórias muito diferentes em torno do mesmo objetivo: desenhar.
Instalada no Centro de São Gonçalo, a Casa das Artes recebe a exposição até o dia 5 de setembro, apresentando ao público uma seleção de trabalhos que evidencia tanto a diversidade de estilos quanto o amadurecimento técnico dos alunos em sala de aula.
Cada um dos 100 desenhos em cartaz ocupa o mesmo formato A3, criando uma espécie de galeria horizontal de processos, onde o suporte é idêntico, mas o caminho de cada artista se revela em escolhas de traço, cor e composição.
De mangá ao realismo no mesmo painel
Os trabalhos foram produzidos nas dependências da escola como projeto final dos alunos, etapa que marca o fechamento de um ciclo de estudos e, ao mesmo tempo, abre a possibilidade de contato direto com o público fora da sala de aula.
Na parede, convivem referências de mangá, cartoon e realismo, criando um percurso em que o visitante pode reconhecer influências da cultura pop, da ilustração e da observação do cotidiano, sem hierarquia entre estilos.
Essa variedade também se manifesta nas técnicas: grafite, guache, lápis de cor e aquarela aparecem em diferentes combinações, indicando como cada aluno se apropria dos materiais disponíveis para traduzir suas ideias em desenho.
A exposição parte de um mesmo suporte, o papel A3, mas se abre em 100 maneiras distintas de entender o desenho como prática e como linguagem.
Ao reunir projetos finais em um espaço expositivo, a escola desloca o trabalho que normalmente ficaria restrito ao ambiente de curso para um lugar de circulação urbana, aproximando a rotina pedagógica da experiência de visita a uma mostra.
Primeiro contato com o público para jovens artistas
Para parte dos alunos, a exposição funciona como uma estreia. É o caso de Davi de Alencar, de 17 anos, que vê seu desenho pela primeira vez em uma mostra aberta ao público, ocupando o mesmo espaço que trabalhos de pessoas bem mais velhas.
Davi, que sempre teve o hábito de desenhar, identifica na iniciativa uma chance concreta de mostrar o que produz para além do círculo de amigos e familiares, transformando o exercício cotidiano em uma obra em situação de exposição.
“Achei muito legal saber que teria uma arte desenhada por mim exposta para outras pessoas verem. Sempre gostei de desenhar e acho que essa parceria com a Prefeitura é importante para dar um gás para todos os jovens que têm interesse pela arte”, conta Davi.
O relato ajuda a dimensionar o impacto de uma mostra como A Arte de Ser Artista na formação de quem está começando: expor o próprio desenho em um espaço institucional desloca o olhar sobre o próprio trabalho e sinaliza que ele pode ser visto e debatido por outras pessoas.
Convivência entre idades como parte da obra
Se a diversidade de técnicas e estilos aparece nas paredes, a convivência entre diferentes faixas etárias compõe a experiência da exposição. Alunos de 7 a 72 anos compartilham o mesmo espaço, com produções que se constroem em ritmos e biografias bem distintas.
Para o gestor e professor Glauber Gal, essa dimensão coletiva é central na concepção da mostra e está sintetizada no título escolhido, que desloca a atenção do resultado final para o processo de tornar-se artista em grupo.
“Essa exposição tem como objetivo mostrar como cada um desses alunos tem potencial de ser um artista. Mas é importante que ele se entenda como parte desta arte, que é a importância de viver. Então, na nossa escola, tentamos mostrar como é importante a vivência entre relacionamentos em idades diferentes, cursos diferentes, com o mesmo objetivo, que é desenhar. Então, por isso, ‘A Arte de Ser Artista’. É essa capacidade de se relacionar em meio ao diferente”, explica Glauber.
A fala de Glauber aponta para uma leitura da exposição que ultrapassa a análise isolada de cada obra e enfatiza o conjunto como uma comunidade de prática, em que o fato de desenhar ao lado de pessoas de outras idades e percursos se torna parte da formação artística.
Ao escolher a Casa das Artes como espaço para sua segunda exposição e primeira ocupação do local, a Escola de Desenho Esboço Artes desloca esse convívio para um equipamento cultural da cidade, reforçando a ideia de que o processo pedagógico também é matéria de exposição.
Serviço
- Local: Casa das Artes – R. Cel. Moreira César, s/nº, Centro, São Gonçalo
- Horário: terça a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 16h
- Classificação: Livre
- Ingresso: Entrada franca






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