Dois pilares da arte brasileira dividem o mesmo palco: Anna Bella Geiger e Cadu conversam no Paço Imperial no sábado (9), com mediação de Marisa Flórido, em evento gratuito.
O encontro acontece às 15h na Sala dos Archeiros e integra a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, que celebra as quatro décadas do mais antigo centro cultural da região central do Rio de Janeiro. A conversa é aberta ao público e não requer inscrição prévia.
Uma mostra que recusa hierarquias
Com curadoria da diretora da instituição, Claudia Saldanha, e do historiador da arte Ivair Reinaldim, professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, “Constelações” ocupa 12 salões e os dois pátios internos do edifício histórico com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas. A proposta une contemporâneos e artistas populares, gerações distintas, técnicas e suportes variados — sem estabelecer hierarquias ou um circuito pré-definido de visita.
“Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim.
Todos os portões do Paço Imperial estão abertos para a mostra, incluindo o principal, com vista para a Baía de Guanabara — fechado desde a pandemia. “Sempre gostamos quando o visitante faz o seu próprio percurso”, diz Claudia Saldanha, que há dez anos dirige a instituição.
Os artistas em foco
Anna Bella Geiger (Rio de Janeiro, 1933) é uma das vozes mais potentes da arte brasileira no cenário internacional. Formada em Línguas Anglo-Germânicas e discípula de Fayga Ostrower, ela participou de bienais em São Paulo, Veneza e Istambul, e tem obras em coleções permanentes do MoMA (Nova York), Tate Modern e Victoria & Albert (Londres) e Museo Reina Sofía (Madri), entre outros.
Cadu (São Paulo, 1977) é artista visual, educador e pesquisador. Bacharel, mestre, doutor e pós-doutor em Linguagens Visuais pela UFRJ, ele atua como professor adjunto no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio, onde coordena o LINDA — Laboratório Interdisciplinar em Natureza Design & Arte. É também diretor do Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny e leciona na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Nove núcleos, uma só história
A exposição está organizada em nove núcleos temáticos — “Paisagem”, “In Situ”, “Simbiose”, “Construção”, “Geografias”, “Corpos”, “Fortunas”, “Terra e Mar” e “Cidade” — mas sem uma rota obrigatória. Entre os destaques está um jardim em homenagem a Roberto Burle Marx (1909-1994), montado pelo Sítio Burle Marx no pátio principal, e a instalação “Agrupamento”, de José Damasceno, criada com materiais garimpados na feira da Praça XV.
A mostra também reúne obras inéditas de Marcelo Monteiro e Regina de Paula, e é complementada por 15 vídeos da série sobre arte contemporânea produzida pela Rio Arte — com registros de Amilcar de Castro (filmado no próprio Paço em 1989), Lygia Clark, Lygia Pape, Tunga e Anna Maria Maiolino, entre outros. “São vídeos bem importantes, feitos a quatro mãos pelos artistas e diretores. Não são um mero registro em vídeo, mas sim obras de arte”, destaca Claudia Saldanha.
Quatro séculos de história no mesmo endereço
Construído em 1733 e inaugurado em 1743, o Paço Imperial foi casa dos Vice-Reis, tornou-se Paço Real com a chegada de D. João VI em 1808, e depois da Proclamação da República serviu como sede da Agência Central dos Correios e Telégrafos. Tombado pelo Iphan em 1938 e restaurado pelo arquiteto Glauco Campello em 1983, virou centro cultural vinculado ao Iphan em 1985. A exposição “Constelações” é a forma que a instituição encontrou de celebrar esse percurso sem transformá-lo em simples retrospectiva.
A curadoria levou cerca de um ano de pesquisa, levantando todas as exposições e artistas que passaram pelo espaço. “Não partimos de obras que necessariamente foram expostas no Paço e sim de artistas que já expuseram e foram importantes nessa história”, explica Ivair Reinaldim. O resultado é uma mostra que embaralha ícones consolidados e trabalhos criados especialmente para esta ocasião — numa constelação que, como as do céu, ganha sentido pelo olhar de quem a contempla.
Serviço
- Conversa com Anna Bella Geiger e Cadu | exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”
- Data: sábado, 9 de maio de 2026, às 15h
- Local: Sala dos Archeiros — Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial (pátios, 1º e 2º pavimentos)
- Endereço: Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
- Exposição em cartaz até 7 de junho de 2026
- Visitação: terça a domingo e feriados, das 12h às 18h
- Entrada gratuita
- Curadoria: Claudia Saldanha, Ivair Reinaldim e equipe do Paço Imperial
- Produção: AREA27



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