A exposição Pulsar chega à Galeria Dobra/Artnova no dia 06 de junho como um mergulho direto nas forças que atravessam a existência contemporânea. Com curadoria de Marcelo Rezende, a mostra integra a programação do Circuito Bhering e reúne um conjunto de artistas que investigam, por diferentes linguagens, a pulsão de vida em sua forma mais crua e inevitável.
O ponto de partida é claro: aquilo que move, que resiste, que insiste. Em vez de uma abordagem contemplativa ou distante, a exposição aposta em obras que se apresentam como presença ativa, quase física. Trabalhos que não apenas representam, mas que parecem vibrar no espaço, criando uma atmosfera onde o espectador é constantemente convocado a sentir, reagir e se reconhecer.
Entre o íntimo e o político
Os artistas reunidos em Pulsar operam em zonas de tensão. Suas obras transitam entre o íntimo e o político, entre o orgânico e o simbólico, entre o desejo e a ruína. Essa oscilação não é apenas estética — ela reflete um estado de mundo onde a experiência de estar vivo se dá em meio a conflitos, pressões e transformações constantes.
Há, na seleção curatorial, um interesse evidente por trabalhos que afirmam a vida mesmo quando lidam com seus limites. A vitalidade aqui não aparece como algo idealizado, mas como um campo de forças em disputa. O corpo, a matéria e a imagem deixam de ser elementos estáticos e passam a operar como agentes de tensão e movimento.
Essa perspectiva amplia a leitura da arte contemporânea como espaço de confronto e elaboração. Em vez de respostas fechadas, a exposição propõe fricções — entre sentidos, entre materiais, entre experiências individuais e coletivas.
Pulsão de vida como conceito central
O conceito que estrutura a exposição vem do vocabulário psicanalítico. A pulsão de vida, ou Eros, é entendida como a força que impulsiona a união, a criação e a preservação da vida. Em oposição à pulsão de morte, que tende à dissolução, essa energia vital se manifesta como insistência — como aquilo que mantém o movimento mesmo diante do esgotamento.
Dentro desse campo teórico, pulsão não é apenas desejo: é pressão, potência e exigência de ação. É o que impede a inércia. É o que faz com que o corpo e a matéria se transformem continuamente. Ao trazer esse conceito para o centro da exposição, a curadoria propõe uma leitura da arte como expressão direta dessas forças invisíveis, mas profundamente sentidas.
Criar, nesse contexto, aparece como um gesto inevitável. Uma forma de libido. O artista cria porque deseja — e esse desejo se traduz em imagens, objetos, gestos e experiências que expandem o campo do sensível.
Arte como energia em circulação
A exposição também propõe uma reflexão mais ampla sobre o papel da arte no presente. Em um cenário marcado por violência, saturação e anestesia cotidiana, Pulsar aponta para a criação artística como um espaço de resistência. Não apenas simbólica, mas também física e emocional.
As obras reunidas operam como campos de energia. Elas atravessam o corpo, a cidade, a natureza e os modos de existência contemporâneos. Ao fazer isso, revelam a arte não como representação distante, mas como manifestação direta de forças internas e coletivas.
O gesto artístico ganha centralidade. A matéria deixa de ser suporte e passa a ser agente. A imagem se torna um território em disputa. Tudo parece apontar para uma ideia comum: viver, aqui, é também resistir — e criar é uma forma de continuar.
Uma constelação de artistas
A força da exposição também está na diversidade de vozes reunidas. Participam de Pulsar artistas com trajetórias e linguagens distintas, criando um panorama múltiplo da arte contemporânea. Essa pluralidade reforça a ideia de que a pulsão de vida não se manifesta de maneira única, mas assume diferentes formas, intensidades e direções.
Entre os nomes presentes estão Adriana Montenegro, Aline Sapin, Ana Luiza Mello, Andrea Penteado, Beatriz Mardine, Benjamin Rothstein, Bruno Castaing, Carlomagno, Chris Jorge, Dany F Tattoo, Danielle Castaing, Gloria Conforto, Gloria Seddon, Jasmina Di Monaco, Jérôme Poignard, Lalin Witch, Lucia Bianconi, Luís Teixeira, Marcelo Rezende, Marcela Wirá, Mônika Moreira, Paulo Amorim, Priscilla Ramos, Ricardo Bhering, Sergil e Valéria Bragança.
Essa constelação de artistas amplia o alcance da proposta curatorial, permitindo que o público percorra diferentes abordagens sobre desejo, afeto, transformação, intensidade e sobrevivência. Cada trabalho acrescenta uma camada ao conjunto, criando uma experiência que se constrói no encontro entre obras, espaço e olhar.
Serviço
- Exposição: Pulsar
- Data: 06 de junho
- Local: Galeria Dobra/Artnova
- Evento: Circuito Bhering
- Curadoria: Marcelo Rezende
- Artistas: Adriana Montenegro, Aline Sapin, Ana Luiza Mello, Andrea Penteado, Beatriz Mardine, Benjamin Rothstein, Bruno Castaing, Carlomagno, Chris Jorge, Dany F Tattoo, Danielle Castaing, Gloria Conforto, Gloria Seddon, Jasmina Di Monaco, Jérôme Poignard, Lalin Witch, Lucia Bianconi, Luís Teixeira, Marcelo Rezende, Marcela Wirá, Mônika Moreira, Paulo Amorim, Priscilla Ramos, Ricardo Bhering, Sergil e Valéria Bragança








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