Um apagão digital vira ponto de partida para uma travessia sensorial que questiona o lugar das telas na infância e propõe novas formas de encontro.
Sem internet, sem distrações. Em ALGORIKI – e se você saísse?, novo espetáculo do Coletivo Quizumba, quatro crianças são forçadas a sair de seus apartamentos após a queda total da conexão. A montagem estreia no Complexo Funarte SP, ocupando a Sala Renée Gumiel de 17 de julho a 9 de agosto, com entrada gratuita.
Em cena, Camila Andrade, Jefferson Matias, Kleiton Breda e Bel Borges interpretam personagens que só se conhecem quando o mundo digital desaparece. O encontro leva o grupo a explorar um prédio que se transforma a cada andar, em uma narrativa que mistura fantasia, memória e desafios.
O maior mistério não é o fim do wi-fi, mas o desaparecimento da própria rua.
Guiados por Kossi, figura que transita entre o real e o imaginário, os personagens atravessam corredores instáveis e situações que tensionam a relação entre tecnologia e presença. Jogos eletrônicos, algoritmos e redes sociais aparecem lado a lado com histórias ancestrais e experiências físicas.
Entre algoritmos e ancestralidade
A dramaturgia, assinada por Tadeu Renato com direção de Thais Dias, parte do itan iorubá “O Chapéu de Duas Cores”, que discute diferentes pontos de vista. A pesquisa evoluiu para incorporar o impacto das redes e dos algoritmos na construção de identidade entre crianças e adolescentes.
O próprio título sintetiza esse cruzamento: “ALGORIKI” une “algoritmo” e “oriki”, forma poética iorubá que celebra trajetórias. A encenação não representa orixás diretamente, mas utiliza seus arquétipos na construção dos personagens, da musicalidade e da linguagem corporal.
Na trilha sonora, dirigida por Bel Borges, sons digitais e referências ao universo gamer dialogam com instrumentos acústicos, capoeira angola e música ao vivo. O contraste reforça o eixo central da peça: a convivência entre tecnologia e experiência sensível.
Um convite para sair — de dentro e de fora
Voltado para crianças a partir de oito anos, o espetáculo evita oposições simplistas entre virtual e real. Em vez disso, propõe uma pergunta direta: o que se perde quando o encontro, o corpo e o brincar deixam de ocupar espaço no cotidiano?
A trajetória do Coletivo Quizumba, fundado em 2008 por artistas ligados à UNESP, à Escola Livre de Teatro e à SP Escola de Teatro, sustenta essa investigação. O grupo desenvolve trabalhos voltados às infâncias e juventudes com base em perspectivas afrocentradas e decoloniais, articulando arte e reflexão política.
Após a temporada na Funarte, o espetáculo segue para o Teatro Alfredo Mesquita, entre 15 e 30 de agosto, mantendo o acesso gratuito ao público.
Serviço
- ALGORIKI – e se você saísse?
- Gratuito – retirada de ingressos 1 hora antes
- Classificação: a partir de 8 anos
- Duração: 60 minutos
- De 17 de julho a 9 de agosto, sexta a domingo, às 16h
- Dias 1 e 8 de agosto, sessões às 14h e 16h
- Local: Complexo Funarte SP / Sala Renée Gumiel – Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos
- De 15 a 30 de agosto, sábado e domingo, às 16h
- Local: Teatro Alfredo Mesquita – Av. Santos Dumont, 1770 – Santana

