Três mulheres sustentam uma casa enquanto enfrentam silêncios, traumas e uma chance rara de mudança em “Doce Árido”.
A pergunta que move “Doce Árido” é direta: o que alguém faria diante da possibilidade de transformar a própria vida? A peça, com estreia marcada para 16 de julho de 2026, no Teatro Ipanema Rubens Corrêa, apresenta três gerações de mulheres que vivem da produção artesanal de doce de leite em uma pequena roça no interior de Minas Gerais.
Com texto e direção de Tairone Vale, o espetáculo reúne Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini em cena. Elas interpretam mãe, filha e avó atravessadas por conflitos íntimos, responsabilidades acumuladas e um passado que insiste em interferir nas decisões do presente.
“Um dos motivadores para esse trabalho foi pensar no que aconteceria se uma mulher tivesse depressão pós-parto em um cenário isolado, rural, sem estrutura e recursos”.
Uma encomenda que expõe fragilidades
O ponto de virada surge quando um pedido vindo do exterior aparece como possibilidade concreta de mudança financeira. Para cumprir o prazo, a rotina se intensifica. Maria Antônia (Pri Helena) exige dedicação total à produção, enquanto Maria Lúcia (Rebeca Figueiredo) divide-se entre o trabalho e os cuidados com a recém-nascida, Maria Clara.
Observando tudo, Maria Quitéria (Layla Paganini) percebe que a tensão familiar pode comprometer não apenas a entrega, mas o próprio equilíbrio da casa. O maior desafio não é o tempo, mas o peso dos segredos acumulados entre elas.
Cenário instável e sons que ampliam o conflito
A encenação reforça esse estado de instabilidade. O cenário, apoiado em uma plataforma móvel, se desloca e tomba conforme as atrizes se movimentam, acompanhando a tensão crescente da narrativa.
A trilha original de Laura Jannuzzi amplia essa atmosfera. A viola caipira, em vez de remeter apenas ao regionalismo, ganha um tom opressor, enquanto a flauta destaca a solidão compartilhada entre mães e filhas.
Entre memória, ficção e dados reais
O texto foi escrito em 2013 e nasceu de memórias pessoais de Tairone Vale, especialmente das relações com as matriarcas de sua família. A peça estreou nos palcos em Juiz de Fora e passou pelo Festival de Curitiba antes de chegar ao Rio.
A narrativa também dialoga com dados do Censo 2022 do IBGE, que apontam que 49,1% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. Elas dedicam quase dez horas semanais a mais que os homens ao trabalho doméstico e de cuidado. O espetáculo tensiona essa realidade, sobretudo no contexto rural, onde o acesso a serviços e proteção é mais limitado.
Serviço
- Espetáculo: “Doce árido”
- Temporada: 16/07 a 09/08
- Local: Teatro Ipanema Rubens Corrêa (Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema)
- Dias e horários: de quinta a sábado, às 20h. Domingo, às 19h.
- Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
- Vendas online: https://bileto.sympla.com.br/event/123299?share_id=1-copiarlink
- Duração: 90 min
- Classificação Indicativa: 14 anos
- Gênero: Drama
- Instagram: @docearido







