Mendoza é conhecida pela Malbec, mas seus diferentes terroirs também dão origem a brancos aromáticos e tintos de estilos variados.
Há um charme inegável em servir uma taça e associar um vinho ao seu terroir. Na cena brasileira, onde o hábito de apreciar bons rótulos ganha contornos mais criteriosos, os vinhedos sul-americanos continuam consolidando uma presença de destaque e ainda não foram impactados pelo alvoroço das notícias sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
A preferência nacional está refletida em números expressivos: segundo dados da Ideal BI, os vinhos especiais argentinos lideraram o crescimento em volume no mercado nacional, registrando uma expansão de 14% no primeiro semestre de 2026.

A altitude muda o estilo da taça
Mendoza, claro, é o epicentro dessa fascinante cultura vitivinícola. Impossível não associar a região à icônica Malbec, cepa de origem francesa que encontrou aos pés da Cordilheira dos Andes a combinação perfeita de luz e solo para se reinventar e conquistar o mundo.
“Reduzir a região ao Malbec significa deixar de lado uma parte importante da diversidade da principal região produtora do país.”
“É uma casta que tem uma história e uma evolução incrível. Mas reduzir a região ao Malbec significa deixar de lado uma parte importante da diversidade da principal região produtora do país”, diz o sommelier da Bodegas Grupo Wine, Diego Peres. “A presença da Cordilheira dos Andes, a aridez, a intensa luminosidade e, principalmente, as diferenças de altitude criam uma grande variedade de condições dentro da própria província.”
Em Mendoza, os vinhedos podem estar localizados desde áreas relativamente baixas até relevos de altitudes muito elevadas, resultando em diferentes temperaturas, amplitudes térmicas e ritmos de maturação. É nesse cenário que variedades brancas e tintas, algumas clássicas e outras pouco lembradas pelo consumidor brasileiro, mostram que a província tem muito a oferecer.
Brancos para descobrir a Argentina
Fugindo um pouco dos vinhos tintos, o sommelier conta que uma das variedades mais características do país é a Torrontés, muito conhecida por produzir vinhos intensamente aromáticos, com notas florais e frutadas marcantes.
A indicação dele para conhecer esse perfil é o Cava Negra Torrontés, uma alternativa interessante para quem deseja começar a descobrir o lado branco e aromático dos vinhos argentinos. Um exemplar de perfil fácil de tomar e perfeito para encaixar na rotina, acompanhando facilmente entradas com frutos do mar, pratos leves ou até uma boa conversa.
Outra variedade que encontra boas condições de desenvolvimento na região é a Viognier. Uma variedade que existe há mais de 2.000 anos no Vale do Rhône e que hoje está presente em diversos países, sendo utilizada tanto em vinhos varietais como em cortes brancos e até tintos.
Naturalmente aromática, pode apresentar notas florais e de frutas de caroço, oferecendo uma expressão única em solos mendocinos. O Las Perdices Viognier é um exemplo desse outro lado de Mendoza, um exemplar leve, agradável e muito aromático.
https://www.bancadoholandes.com.br/vinho-las-perdices-viognier-750ml
Chardonnay com mais estrutura
Já a uva Chardonnay permite explorar uma faceta ainda diferente. Em áreas mais elevadas e frescas, a maturação mais lenta contribui para preservar a acidez da fruta, enquanto a intensa luminosidade favorece concentração e maturação.
É justamente essa combinação que tem colocado diferentes zonas mendocinas em evidência na elaboração da variedade. O Las Perdices Reserva Chardonnay representa esse estilo mais estruturado e complexo dentro dos brancos da região.
Um rótulo que entrega volume e muito sabor, sendo perfeito para harmonizar pratos untuosos e um pouco mais intensos, como lombo suíno assado, risoto de camarão ou até espaguete ao pesto e nozes.

Tintos que dividem os holofotes
Além da Malbec, a Bonarda é a segunda variedade tinta mais plantada. Durante muito tempo ela esteve associada a vinhos de volume e aos cortes argentinos, mas passou a receber maior atenção nos vinhos varietais, revelando seu potencial para produzir vinhos de altíssima qualidade.
Um rótulo interessante com este perfil é o Las Perdices Reserva Bonarda, que apresenta bastante fruta, intensidade de cor, taninos macios e é muito suculento e redondo ao paladar.
Falando em variedades que vêm ganhando cada vez mais espaço, a Cabernet Franc encontrou em Mendoza, especialmente nas zonas de maior altitude, condições interessantes para preservar frescor, intensidade aromática e boa maturação.
A variedade costuma apresentar frutas vermelhas, especiarias e notas herbais características. O Las Perdices Ala Colorada Cabernet Franc, elaborado em Agrelo, mostra uma versão mais estruturada da uva, com passagem por carvalho francês, trazendo cereja, pimentão, especiarias e nuances de baunilha e café, além de bom volume em boca.
https://loja.familiascopel.com.br/ala-colorada-cabernet-franc
A Cabernet Sauvignon, conhecida como a “rainha das uvas tintas”, também se adapta muito bem às condições de Mendoza. No Vale do Uco, a altitude e a amplitude térmica ajudam a preservar acidez e frescor mesmo com boa maturação das uvas.
O Portillo Cabernet Sauvignon aposta justamente em uma expressão jovem e essencialmente frutada da variedade, sem buscar o peso da madeira: aparecem frutas escuras, groselha, cereja e pimenta-preta, com taninos sedosos e final equilibrado.
É uma leitura mais direta, pura e acessível da Cabernet Sauvignon mendocina.
https://www.wine.com.br/vinhos/portillo-valle-de-uco-cabernet-sauvignon-2023/prod30430.html
Se é verdade que Mendoza continua tendo na Malbec sua grande assinatura, esta região produtora está longe de se resumir a apenas uma variedade.
“Explorar essas outras uvas é também descobrir uma Argentina mais ampla, versátil e surpreendente.”
“Brancas aromáticas, tintas históricas e outras, internacionais, mostram como altitude, luminosidade, clima seco e diferentes terroirs permitem criar estilos muito diversos dentro da própria região. Explorar essas outras uvas é também descobrir uma Argentina mais ampla, versátil e surpreendente”, comenta o sommelier.
