Um estudo detalhado recupera as engrenagens econômicas, políticas e institucionais que transformaram o mercado fonográfico brasileiro em um dos maiores do mundo durante o regime militar.
Em 1969, uma medida governamental autorizou as gravadoras a abaterem integralmente o ICM na produção de discos de artistas nacionais, dando origem à célebre estampa registrada na contracapa dos álbuns do país. Essa trajetória ganha perspectiva histórica no livro “Disco É Cultura – Música, Gravadoras e Ditadura Militar no Brasil”, assinado pelo jornalista e historiador Claudio Jorge Oliveira. Fruto de uma coedição entre as Edições Sesc e a Garota FM Books, a obra investiga o surgimento e o fortalecimento do mercado de discos no Brasil entre 1964 e 1985.
O que eu busquei foi contar a história da indústria da música brasileira, da sua origem, quando o disco era o principal produto dessa indústria e a gravadora o único caminho para um artista alcançar o sucesso.

O lado empresarial e institucional da música nacional
Diferente das narrativas centradas apenas nos grandes nomes ou nos artistas marginalizados da MPB, a publicação direciona o foco para o funcionamento das companhias fonográficas e suas articulações com o poder público. O trabalho analisa momentos decisivos da categoria, como a greve dos músicos do Rio de Janeiro em 1941 por reajustes de cachê, o projeto de lei de Humberto Teixeira em 1955 sobre direitos autorais e a mobilização da ABPD nos anos 1960 para obter isenção fiscal semelhante à do mercado editorial.
Com prefácio assinado pelo jornalista Silvio Essinger e orelha elaborada pelo músico Charles Gavin, o livro reúne entrevistas com figuras centrais do setor, incluindo André Midani, Jards Macalé, Wilson Souto Jr. e Roberto Menescal. O levantamento documental abrange o histórico das gravadoras desde 1902 até as transformações sociais e econômicas que acompanharam a expansão da indústria no século 20.
A ascensão e o estouro do mercado nos anos 1970 e 1980
Durante os anos 1970, o Brasil alcançou a posição de quarto maior mercado global de discos, registrando taxas de crescimento anual de até 45%. Contudo, as mudanças no cenário econômico na década seguinte alteraram essa dinâmica, levando ao colapso do modelo e afetando diretamente as empresas de capital nacional.
É uma história de sucesso, porque o Brasil chegou a ser o quarto maior mercado de discos do mundo nos anos 70, com crescimento anual de até 45%. E é uma história de fracasso também, porque a partir de 1980 essa bolha estourou e as gravadoras de capital nacional é que pagaram o pato.
O encontro de lançamento da obra está marcado para o dia 14 de outubro de 2026, às 19h, na Livraria da Travessa Ipanema. A programação contará com um bate-papo reunindo o autor, Charles Gavin e Silvio Essinger para debater as pesquisas e os depoimentos apresentados no volume de 408 páginas.
Serviço
- Lançamento do livro: “Disco É Cultura – Música, Gravadoras e Ditadura Militar no Brasil” (Claudio Jorge Oliveira)
- Data: 14/10/2026 (quarta-feira)
- Horário: 19h
- Local: Livraria da Travessa Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema)
- Participações: Bate-papo com Claudio Jorge Oliveira, Charles Gavin e Silvio Essinger
- Editoras: Garota FM Books e Edições SESC
- Especificações: 15 x 22cm, 408 páginas
- Preço de capa: R$ 95
- ISBN: 978-85-85091-11-8 (Garota FM Books) / 978-85-9493-395-9 (Edições Sesc)
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