Memória, corpo e identidade atravessam quatro obras inéditas que chegam à Flip 2026 em formato de plaquete, apostando na experimentação literária como linguagem e método.
O selo Tato Literário, da com.tato, apresenta sua coleção de plaquetes de 2026 durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Inspirados pela cultura dos zines e pelo faça-você-mesmo, os livros mantêm o formato enxuto e ampliam a proposta editorial: pela primeira vez desde a criação do projeto, em 2024, os títulos compartilham uma unidade temática centrada na memória.
“Aproveitamos a coincidência para construir algo novo e trazer, pela primeira vez, um tema-guia para a coleção”
A curadoria é assinada por Thaís Campolina e Karol Lopes, que selecionaram os trabalhos a partir da 3ª edição do minicurso “Plaquetes: espaço para experimentação”. Segundo elas, a convergência temática surgiu de forma orgânica entre os textos submetidos, sem definição prévia.
Quatro caminhos para lembrar
A coleção reúne Cacá Silveira, Talita Franceschini de Carvalho, Luciana Palhares e Bianca Smanio, cada uma explorando a memória a partir de recortes distintos.
Em “Passar inteira pelo buraco da agulha”, Cacá Silveira estreia em publicação solo com poemas que atravessam contradições e subjetividades. A escrita percorre lembranças como quem recolhe fragmentos, costurando experiências em imagens que tensionam afeto e incômodo.
“Viva pelo avesso”, de Talita Franceschini de Carvalho, parte do diálogo com Ana Cristina Cesar e Eunice Arruda para investigar deslocamentos de sentido. A memória surge como campo de confronto e reinvenção, articulando referências e voz própria.
Já “Ficção que chamo de eu”, de Luciana Palhares, reúne treze relatos da infância em uma investigação sobre identidade. A autora parte de experiências pessoais para questionar narrativas formadas ao longo do tempo.
Em “Tornozelo”, Bianca Smanio transforma um acidente em ponto de partida para uma reflexão sobre corpo e reconstrução. A imobilidade imposta pelo processo de recuperação abre espaço para observações que transitam entre o físico e o existencial.
Formato breve, gesto político
Historicamente associadas à circulação rápida de textos poéticos e manifestos, as plaquetes aparecem aqui como estratégia editorial. O formato reduzido favorece a experimentação e aproxima leitura e escrita, criando um espaço onde o erro, o ensaio e a tentativa ganham centralidade.
Na proposta do Tato Literário, esse modelo se articula à literatura independente, abrindo margem para híbridos entre gêneros e linguagens. A coleção de 2026 reforça essa linha ao reunir poesia, crônica e narrativa em torno de um eixo comum.
Serviço
- Sessões de autógrafos com autoras da coleção Tato Literário 2026
- 23 de julho, 11h: Luciana Palhares (“Ficção que chamo de eu”)
- 23 de julho, 13h: Bianca Smanio (“Tornozelo”)
- 24 de julho, 20h: Talita Franceschini de Carvalho (“Viva pelo avesso”)
- Local: estande da com.tato, Casa Escreva, Garota!, Centro Histórico de Paraty (RJ)

