O Dragão Fashion Brasil 2026 abre espaço para uma estreia que amplia o debate sobre criação, identidade e produção na moda nacional. Entre os dias 9 e 12 de junho, em Fortaleza, o evento recebe os desfiles do “Mãos da Moda”, projeto da Nordestesse viabilizado pelo Riachuelo Lab que conecta estilistas independentes a grupos artesanais do Nordeste em um processo de cocriação que resulta em coleções inéditas.
A iniciativa reúne oito marcas autorais da Bahia e da Paraíba em um percurso que vai além do desenvolvimento de peças. Durante cinco meses, estilistas e artesãos trabalharam juntos em uma imersão criativa orientada por mentores, explorando técnicas tradicionais e fortalecendo o diálogo entre design contemporâneo e saberes transmitidos entre gerações.
Moda como conexão entre territórios
O “Mãos da Moda” nasce com uma proposta clara: aproximar dois universos que historicamente caminham em paralelo. De um lado, marcas independentes que buscam identidade e diferenciação. Do outro, grupos artesanais que carregam repertórios técnicos e culturais muitas vezes pouco acessados pelo mercado.
A iniciativa atua justamente nesse ponto de encontro, criando pontes que permitem que o fazer manual nordestino seja incorporado às coleções de forma estruturada, respeitosa e economicamente viável. Cada parceria formada recebeu aporte financeiro para desenvolver entre 10 e 12 looks, todos baseados em técnicas tradicionais.
Mais do que uma colaboração estética, o projeto estrutura uma cadeia produtiva que valoriza o tempo, o conhecimento e a autoria de todos os envolvidos. O resultado são peças que carregam não apenas design, mas também contexto e história.
As parcerias que deram origem às coleções
Na Bahia, o projeto articulou uma série de encontros entre estilistas e associações artesanais. Adriana Meira trabalhou com a Associação de Mulheres Artesãs de Barra Bananal e Riacho das Pedras, em Rio de Contas. A marca Areia se conectou à Amapa, de Correntina, especializada em bordado cheio, enquanto Dua colaborou com a Chitarte, de Cachoeira.
Outras parcerias incluem Inttui e a Rendavan, associação de rendeiras de Dias D’Ávila; Luci Bortowski com a Associação dos Artesãos de Saubara; e Teroy13 com o Grupo Mulheres do Algodão de Guanambi. Já na Paraíba, o projeto uniu a Carnavália à Associação Quilombola de Pedra D’Água e a marca Morada ao coletivo Aramê, também localizado em Pedra D’Água.
Essas conexões foram estruturadas a partir da convivência e da escuta, permitindo que os processos criativos fossem construídos de forma colaborativa. O desenvolvimento das peças respeitou o ritmo e as especificidades de cada técnica, reforçando o compromisso com a autenticidade dos saberes locais.
Do processo ao desfile coletivo
O ápice do projeto acontece no Dragão Fashion Brasil com um desfile coletivo que apresenta ao público o resultado desse percurso. As coleções exibidas refletem meses de troca entre estilistas e artesãs, evidenciando como o encontro entre tradição e contemporaneidade pode gerar novas narrativas na moda brasileira.
A presença do “Mãos da Moda” no evento reforça o papel do Dragão Fashion como plataforma de visibilidade para iniciativas que extrapolam o produto final e se aprofundam em processos, territórios e impactos sociais.
“Como uma marca Potiguar, que mantém no estado do Rio Grande do Norte o maior polo industrial têxtil da América Latina, a Riachuelo entende a importância de investir em iniciativas que impulsionam a economia local e geram oportunidades para talentos brasileiros. O Riachuelo Lab nasceu com esse olhar: conectar marcas, artesãos e criativos para viabilizar e potencializar o alcance desses projetos”, afirma Cathyelle Schroeder.
Um modelo que mira o futuro
Além do impacto imediato nas coleções apresentadas, o projeto também aponta para um modelo de desenvolvimento contínuo. A proposta é que o “Mãos da Moda” avance para novas edições, incorporando outros estados brasileiros e ampliando sua rede de colaboração.
A iniciativa responde a uma lacuna identificada pela Nordestesse ao longo de sua atuação: a dificuldade de marcas em acessar redes artesanais qualificadas. Ao estruturar esse encontro com suporte financeiro e acompanhamento técnico, o projeto cria condições para que essas parcerias se consolidem de forma sustentável.
“Nos 5 anos de atuação da Nordestesse, percebemos que as marcas de moda em geral não conhecem ou não sabem como acessar grupos artesanais que poderiam agregar muito à sua imagem e identidade. O Mãos da Moda surge para estreitar esses laços, garantindo recursos humanos e financeiros para que essa parceria resulte numa coleção coesa e que fortaleça tanto as marcas quanto os grupos artesanais”, finaliza Daniela Falcão, fundadora da Nordestesse.
Ao conectar criação autoral, tradição e impacto econômico, o projeto reforça um movimento crescente dentro da moda brasileira: o de reconhecer e valorizar as cadeias produtivas locais como parte essencial da construção de identidade e inovação.
Serviço
- 10 de junho (quarta-feira)
- 19h30 — Adriana Meira
- 19h40 — Dua
- 19h50 — Luci Bortowski
- 11 de junho (quinta-feira)
- 18h30 — Carnavália
- 18h40 — Teroy
- 18h50 — Areia
- 12 de junho (sexta-feira)
- 18h30 — Intuí
- 18h40 — Morada

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