O que antes era apenas trilha de fundo agora impacta diretamente o caixa das empresas, com aumento de vendas e tempo de permanência do consumidor.
Durante anos, a música ambiente ocupou um papel secundário nos espaços físicos. Esse cenário começa a mudar com a proposta da Musique, empresa fundada em 2016, que trata o áudio como parte estratégica do negócio. Segundo dados da própria operação, a solução já gera aumento de até 9% no tempo de permanência em loja e pode elevar em até 20% as vendas de produtos anunciados via áudio inteligente.
A empresa, que atende mais de 5 mil pontos de venda na América Latina, reúne clientes como RiHappy, Volvo e BMW. A proposta combina eficiência operacional, personalização da experiência e redução de custos fixos, especialmente relacionados a direitos autorais.
O áudio ainda é um recurso subaproveitado pela maioria das empresas
A afirmação é de André Domingues, fundador e CEO da empresa. Para ele, o som pode ir além do ambiente e atuar como canal ativo de comunicação com o consumidor, reforçando a identidade da marca e abrindo novas oportunidades comerciais ao longo da jornada de compra.
Quando o som vira canal de vendas
A plataforma da Musique se apoia em três pilares: música estratégica, sonoplastia programada e mídia de áudio voltada ao retail media. A integração permite adaptar o ambiente conforme objetivos específicos, como aumentar permanência, estimular consumo ou reforçar campanhas.
Um dos diferenciais está no acervo proprietário, produzido por compositores e apoiado por ferramentas digitais e inteligência artificial. O modelo elimina dependência de licenciamento tradicional e permite escalar projetos com maior controle de custos.
Segundo Domingues, a tecnologia não substitui a criação, mas amplia a capacidade de personalização e eficiência. O resultado é uma solução que conecta experiência sensorial com métricas de negócio.
Expansão mira moda e farmácia
Com o avanço do retail media e a digitalização dos pontos de venda, a empresa vê espaço para crescer. A estratégia para o segundo semestre concentra esforços em grandes redes dos segmentos de moda e farmacêutico.
A companhia também aposta em métricas próprias para demonstrar o impacto direto do áudio nos resultados financeiros. A expectativa para 2026 é de crescimento de 300% e expansão de 80% na base de clientes, incluindo operações fora do Brasil.
O movimento indica uma mudança de lógica: o som deixa de ser custo operacional e passa a ocupar espaço como ativo estratégico dentro do varejo físico.

