Ardência, vermelhidão e visão embaçada se intensificam no frio e colocam a Síndrome do Olho Seco no centro do Julho Turquesa, campanha que reforça diagnóstico precoce e cuidado contínuo.
Sintomas como lacrimejamento, sensação de areia e secura persistente indicam a Síndrome do Olho Seco, condição que ganha destaque durante o Julho Turquesa. A campanha busca ampliar a conscientização sobre a doença e evitar complicações que podem comprometer a visão.
“Quando deixa de ser tratada, a condição pode causar, nos casos mais graves, dano à visão e comprometimento da qualidade de vida do paciente”
O alerta é da Dra Myrna Serapião, oftalmologista especialista em doenças da superfície ocular e diretora médica da Vision One. Segundo ela, o problema está ligado à falta de lubrificação adequada dos olhos, seja por baixa produção de lágrimas ou pela evaporação acelerada do filme lacrimal.
Por que o inverno agrava o problema
O frio traz fatores que favorecem o agravamento da doença. A baixa umidade do ar e o aumento da poluição contribuem diretamente para a instabilidade do filme lacrimal. Além disso, hábitos comuns da rotina urbana intensificam o quadro.
A médica explica que a condição também está associada ao envelhecimento e à disfunção das glândulas de Meibômio, responsáveis pela produção da camada oleosa da lágrima. Sem essa proteção, a evaporação ocorre mais rapidamente.
Os fatores que aumentam o risco
- Envelhecimento: redução na produção ou qualidade das lágrimas.
- Disfunção das Glândulas de Meibômio: altera a camada lipídica e acelera a evaporação.
- Uso de medicamentos: antialérgicos, ansiolíticos, anti-hipertensivos e remédios para colesterol.
- Menopausa: alterações hormonais impactam diretamente a lubrificação ocular.
- Exposição a telas: redução da frequência do piscar e maior evaporação da lágrima.
- Doenças dermatológicas: como rosácea, frequentemente associada ao quadro.
- Doenças reumatológicas: como a Síndrome de Sjögren, que reduz a produção lacrimal.
Uma condição cada vez mais comum
O avanço da doença acompanha mudanças no estilo de vida. O aumento do tempo em frente a telas e a maior expectativa de vida contribuem para o crescimento dos casos. Dados do relatório TFOS DEWS II, de 2017, apontam que o olho seco afeta entre 5% e 50% da população mundial.
No Brasil, a estimativa varia entre 12% e 24%, com maior incidência em mulheres e pessoas acima dos 40 anos. O cenário tem impulsionado iniciativas como a criação do Instituto de Superfície Ocular da Vision One, previsto para este semestre em São Paulo.
Pequenos hábitos que fazem diferença
Medidas simples ajudam a reduzir os sintomas e prevenir o agravamento da doença. Entre elas, diminuir o tempo de exposição às telas, manter a hidratação, evitar ar-condicionado direto e adotar uma rotina saudável.
O principal ponto, porém, é não ignorar os sinais. A avaliação com um oftalmologista permite identificar a causa e definir o tratamento adequado para preservar a qualidade da visão.

