Prorrogada até 16 de maio, mostra no Centro Cultural Correios transforma pesadelos em reflexão sobre o mundo atual e seus conflitos
O impacto foi suficiente para prolongar a experiência. A exposição “Morfeu: Pesadelos e Despertares”, do artista peruano Ciro Palomino, teve sua temporada estendida no Centro Cultural Correios RJ, consolidando-se como uma das mostras mais provocativas em cartaz na cidade. A visitação agora segue até o dia 16 de maio, mantendo entrada gratuita.
Mais do que uma sequência de obras, a mostra constrói uma narrativa visual densa, inspirada na figura mitológica de Morfeu. Aqui, no entanto, os sonhos não são suaves. Eles refletem tensões contemporâneas — guerras, crises sociais e a autodestruição humana — filtradas pela experiência e sensibilidade do artista.
Com curadoria de Carlos Bertão e projeto expográfico assinado por Alê Teixeira, a exposição aposta em uma ambientação que amplia a força simbólica das obras. O visitante não apenas observa, mas percorre um percurso que oscila entre inquietação e esperança.
Entre pesadelos e consciência
O trabalho de Ciro Palomino parte de vivências concretas. Além de artista, ele atua como consultor da ONU no Brasil, o que influencia diretamente sua produção. Ao longo da carreira, suas obras têm abordado questões sociais urgentes, sempre com um olhar que busca diálogo global.
Na exposição, esse posicionamento se traduz em imagens que tensionam o espectador. Ainda assim, não há pessimismo absoluto. Ao contrário, existe uma tentativa clara de provocar despertar — individual e coletivo.
“Temos sonhos e pesadelos, meu trabalho social me permitiu expressar o que sinto de uma forma que é expressiva e universal. Hoje vivemos em mundos estranhos e tumultuosos, cheios de medos e orações, perdão e culpa; um mundo que anseia por despertar, assim como as pessoas que o habitam.”
A fala do artista sintetiza o eixo central da mostra: a arte como ferramenta de consciência em tempos instáveis.
Trajetória internacional e impacto social
Formado pela Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP), Palomino acumula reconhecimento internacional. Ele já recebeu prêmios da ONU e da UNESCO e levou seu trabalho a países como Suíça, China, Irã e Turquia.
Seu projeto “Consciência”, apresentado pela primeira vez em 2017 na sede da ONU em Nova York, marcou um ponto de virada em sua carreira. No Brasil, entre 2019 e 2022, a iniciativa foi vista por mais de 200 mil pessoas, reforçando o alcance de sua proposta artística.
A relação com o Centro Cultural Correios, aliás, não é recente. O espaço já recebeu exposições anteriores do artista, incluindo uma versão de “Consciência” que atraiu mais de 140 mil visitantes.
Curadoria e construção do espaço
A consistência da mostra também passa pela experiência de seus colaboradores. Carlos Bertão, responsável pela curadoria, tem uma trajetória que transita entre o direito internacional e o universo das artes. Ex-integrante do Banco Mundial, ele atua há décadas como colecionador e curador, com participação em exposições no Brasil e no exterior.
Já o projeto expográfico leva a assinatura de Alê Teixeira, que há mais de 20 anos trabalha com design e iluminação de exposições. Sua atuação contribui para criar uma atmosfera que potencializa o impacto emocional das obras.
A parceria entre Bertão e Teixeira não é nova. Ambos já colaboraram em diversos projetos e também são responsáveis pela ENTREARTE, iniciativa voltada à consultoria para artistas visuais.
Por que visitar agora
A prorrogação da exposição não apenas amplia o acesso, como reforça sua relevância. Em um cenário global marcado por instabilidade, “Morfeu: Pesadelos e Despertares” propõe uma pausa — não para escapar da realidade, mas para encará-la com mais lucidez.
Ao mesmo tempo, a gratuidade e a localização central facilitam a visita. O espaço é acessível e aberto a diferentes públicos, de estudantes a colecionadores, mantendo o caráter democrático da iniciativa.
Para quem busca uma experiência que vá além da contemplação estética, a mostra oferece algo mais raro: um confronto direto com as inquietações do presente — e a possibilidade de imaginar outros futuros.
Serviço
- Exposição “Morfeu: Pesadelos e Despertares”
- Artista: Ciro Palomino
- Curadoria: Carlos Bertão
- Projeto expográfico: Alê Teixeira
- Visitação: até dia 16 de maio de 2026
- Horário: terça a sábado, das 12h às 19h.
- Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro – Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro – Rio de Janeiro/RJ
- Assessoria de Imprensa: Paula Ramagem (@paulasoaresramagem)
- Apoio: Consulado Geral do Peru Rio de Janeiro
- Evento gratuito
- Censura Livre
- Como chegar: metrô (estação Uruguaiana); ônibus (Praça XV, Candelária ou Rua Primeiro de Março); barcas (Praça XV); VLT (Rio Branco/Uruguaiana ou Praça XV); trem (Central + VLT)
- Acessibilidade: adaptado para pessoas cadeirantes
- Público-alvo: empresários, profissionais liberais, artistas, fotógrafos, colecionadores, professores, estudantes e público em geral

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