A ArPa 2026 aposta na força da arte latino-americana ao expandir o Setor UNI, núcleo dedicado exclusivamente a exposições individuais que se tornou um dos pontos mais comentados da feira. Sob curadoria de Ana Sokoloff, a iniciativa ganha nova dimensão ao reunir artistas de diferentes gerações e países em um percurso que articula abstração, figuração e práticas escultóricas com foco em temas como memória, identidade e materialidade.
Em sua 5ª edição, a feira reforça o UNI como espaço de investigação e experimentação, aproximando linguagens e trajetórias diversas a partir de afinidades sensíveis, e não de critérios cronológicos ou estilísticos. O resultado é uma narrativa visual que atravessa temporalidades e amplia o diálogo entre produções modernas e contemporâneas da América Latina.
Curadoria aposta em conexões sensíveis
Com o título “Forms of Continuity: Modern and Contemporary Positions from Latin America”, o Setor UNI propõe uma leitura que privilegia conexões entre artistas a partir de temas compartilhados. Pintura, desenho, aquarela, têxtil, assemblage e escultura convivem em um mesmo ambiente, criando relações que atravessam diferentes práticas e repertórios.
A curadora Ana Sokoloff, referência internacional em arte latino-americana e radicada em Nova York, estrutura o setor com base em aproximações conceituais e formais. Sua trajetória inclui passagens pela Christie’s, Sotheby’s e Americas Society, além de atuação em conselhos institucionais como o do Museo de Arte Moderno de Bogotá.
“A ideia foi aproximar artistas por sensibilidade, mais do que por geração ou meio”
Segundo Sokoloff, mesmo obras material ou conceitualmente distintas compartilham um rigor comum na construção de imagens e objetos. Essa abordagem amplia o campo de leitura e reforça o caráter investigativo do setor dentro da ArPa.
Diálogos entre abstração e figuração
Entre os destaques da edição está a presença de Gisela Eichbaum, cuja produção foi fundamental para o desenvolvimento do modernismo brasileiro do pós-guerra. Sua obra estabelece um diálogo direto com artistas contemporâneos como Rodolfo Pitarello e Renan Andrade, que expandem a abstração em direção a dimensões simbólicas e espirituais.
A figuração também ocupa espaço central no percurso, com trabalhos de Santiago García Sáenz, Antonio Kuschnir e Gabriel Pessoto. Suas obras abordam temas como intimidade, desejo e vulnerabilidade, explorando diferentes abordagens visuais e narrativas.
Já artistas como Juliana Bernabó e Ana Sario constroem atmosferas mais sutis, marcadas por gestos delicados e investigações pictóricas que valorizam o espaço, a cor e a experimentação formal.
Memória, identidade e materialidade
Questões ligadas à ancestralidade, negritude, migração e memória cultural atravessam o trabalho de artistas como Gi Monteiro, Bernardo Liu e Kiván Quiñones Beltrán. Em suas produções, técnicas como pintura, têxtil, colagem e assemblage se tornam ferramentas para narrativas visuais que dialogam com experiências diaspóricas e identidades híbridas.
O setor também incorpora práticas escultóricas e investigações sobre a materialidade do cotidiano. Artistas como Estevan Davi, Milena Ferreira e Raphael Tepedino exploram elementos como arquitetura, resíduos urbanos e objetos ordinários, transformando-os em proposições poéticas e críticas.
A diversidade de abordagens reforça o caráter abrangente do UNI, que se consolida como um espaço de reflexão sobre os caminhos da arte contemporânea na América Latina.
Programa Prisma amplia conexões
Além da curadoria do Setor UNI, Ana Sokoloff assume em 2026 a coordenação do Programa Prisma, iniciativa voltada a colecionadores convidados do Brasil e do exterior. A proposta é criar uma rede de experiências que ultrapassa os dias da feira, com visitas a ateliês, coleções privadas e exposições institucionais ao longo do ano.
O programa fortalece a atuação contínua da ArPa no circuito das artes visuais, aproximando artistas, curadores e colecionadores em diferentes contextos. Ao mesmo tempo, amplia o alcance internacional da feira e reforça sua posição como plataforma estratégica para a arte latino-americana.
Galerias e artistas participantes
O Setor UNI reúne uma seleção diversa de galerias e artistas, refletindo a pluralidade de linguagens e territórios presentes na feira. Participam desta edição:
- Cave: Gi Monteiro
- Central: Raphael Tepedino
- Hache: Santiago García Sáenz
- Luciana Caravello: Gabriel Pessoto
- MaPa: Gisela Eichbaum
- Marcelo Guarnieri: Ana Sario
- Ora: Renan Andrade
- Pena Cal: Juliana Bernabó
- Pilar: Rodolfo Pitarello
- PerezPuig: Kiván Quiñones Beltrán
- Refresco: Bernardo Liu
- RV Cultura e Arte: Milena Ferreira
- Vermelho: Estevan Davi
- WG: Antonio Kuschnir
Ao reunir esses nomes, o UNI reforça o compromisso da ArPa com a valorização de práticas artísticas contemporâneas e com a construção de um panorama diverso e consistente da produção latino-americana.
Fundada em 2022 por Camilla Barella, a ArPa se consolidou como uma das principais feiras de arte contemporânea da região, com um modelo curatorial estruturado por setores e foco em projetos inéditos. A edição de 2026 reafirma esse posicionamento ao ampliar o espaço dedicado à pesquisa e ao pensamento crítico.
Serviço
- Evento: ArPa – 5ª edição
- Data: 27 a 31 de maio de 2026
- Horário: quarta a sábado, das 13h às 20h30 | domingo, das 11h às 18h
- Local: Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo
- Endereço: Rua Capivari (Portão 23)
- Ingressos: disponíveis no site oficial da ArPa | https://arpa.art/ingressos/
- Classificação: livre para todas as idades
- Acessibilidade: evento conta com recursos para pessoas com deficiência
- Site: https://arpa.art/
- Instagram: @arpa__art




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