O Império Serrano inicia sua caminhada para 2027 com um enredo que transforma o desfile em ato político, unindo memória, arte e resistência na Marquês de Sapucaí.
Interpretado em vídeo por Chico César, o Império Serrano apresentou, na noite de terça-feira (28), a sinopse de “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão”. O lançamento marca o início oficial da disputa de samba-enredo da escola, que desfila pela Série Ouro no Carnaval 2027.
O texto é assinado pelo carnavalesco Renato Esteves e pelos enredistas Jorge Sant’Anna e Manu Rosa. A proposta atravessa diferentes momentos históricos e culturais para discutir repressão, liberdade e o papel da juventude na construção da democracia brasileira.
“Censura não cala a arte. É preciso estar atento e forte! É proibido proibir!”
Quando o desfile vira manifestação
A narrativa parte de períodos de repressão política, evocando ditaduras, censura e perseguições, para afirmar que ideias e memória resistem. A sinopse propõe um desfile que se constrói como resposta coletiva: das ruas aos palcos, dos terreiros aos barracões.
O texto também conecta movimentos culturais e artísticos — como o Cinema Novo, o teatro político e a música de protesto — a uma ideia de “reantropofagia”, em que o Brasil se reinventa a partir de suas próprias referências, sem reproduzir modelos externos.
Juventude como eixo central
A juventude aparece como protagonista. A sinopse destaca estudantes, artistas e movimentos populares como forças que enfrentam opressões e constroem novas formas de expressão e organização.
A figura do “marginal” é ressignificada: deixa de ser estigma para se tornar símbolo de resistência. A proposta do Império é inverter a lógica histórica e transformar aqueles antes marginalizados em heróis da narrativa.
Memória, cultura e identidade em cena
Referências a nomes e movimentos culturais brasileiros atravessam o texto, como forma de reafirmar a arte como instrumento político. A escola propõe revisitar essas expressões e levá-las para a avenida como linguagem de denúncia e afirmação.
No encerramento, a sinopse aponta para um desfile que mistura passeata e carnaval. A ideia é transformar a Sapucaí em espaço de manifestação coletiva, onde o samba assume o papel de voz popular.
Com o lançamento, o Império Serrano abre oficialmente seu processo criativo para 2027, convidando compositores a traduzirem em samba um enredo que aposta na força da memória e na potência transformadora da cultura.


