Linhas geométricas art déco, vitrais originais e memórias do antigo terminal marítimo da Praça Mauá guiaram o público pelos segredos centenários da orla carioca.
O Museu da Justiça do Estado do Rio de Janeiro realizou o oitavo encontro do Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal na Praça Mauá, situada na Zona Portuária da capital fluminense. Com a palestra e visita guiada intitulada “Edifício Touring: O Antigo Terminal Marítimo”, a atividade explorou os três pavimentos da construção com foco na Baía de Guanabara, unindo especialistas, servidores, magistrados e estudantes interessados em resgatar a trajetória urbana local.
A ideia é falar dessa passagem do tempo aqui no Centro da cidade e gerar nas pessoas um outro olhar para um lugar por onde passamos diariamente. A pessoa vai sair daqui sabendo que prédio é esse e o que foi feito nele.
A iniciativa, celebrada na segunda-feira (14/9), é coordenada pelo Museu da Justiça em parceria com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e o Palácio Tiradentes (Alerj). A diretora da instituição, Siléa Macieira, destaca que o projeto conecta quatro edifícios históricos que completam cem anos em 2026: o antigo Palácio da Justiça, o Palácio Tiradentes, o antigo Banco Transatlântico Alemão e o próprio Edifício Touring.

Arquitetura de recepção e conexões transatlânticas
Reaberto para o público em janeiro, o espaço teve sua trajetória e reformas apresentadas pelos arquitetos Rafael Koury e Felipe Reigada, gerentes do IRPH. O debate enfatizou o papel da estrutura como polo de intercâmbio comercial e acolhimento de viajantes e imigrantes estrangeiros no século passado, ligando as transformações estilísticas da cidade aos avanços mundiais.
A relevância afetiva e institucional do ponto foi ressaltada pelo desembargador Antônio Iloizio Barros Bastos, da 16ª Câmara de Direito Privado do TJRJ, cuja família desembarcou no local vinda de Portugal na década de 1950. No campo da formação acadêmica, a diretora do Departamento de Aperfeiçoamento de Magistrados da Emerj, Patsy Schlesinger, acompanhou o encontro como base para o futuro curso sobre Direito e Arte previsto para 2027, sob a coordenação da desembargadora Andréa Pachá.

Percepção espacial e continuidade do circuito
Para visitantes como o estudante Gustavo Henrique Schmitz Rigada, entender a história por trás das paredes altera a dinâmica de convivência com o Centro urbano, estabelecendo uma barreira contra o esvaziamento cultural em meio ao avanço veloz das tecnologias digitais.
A agenda comemorativa segue nos próximos meses no Museu da Justiça. Em outubro, o espaço promove palestra sobre a escritora Clarice Lispector e sua relação com o Antigo Palácio da Justiça, onde obteve a cidadania brasileira em 1940. Já em novembro, historiadores debatem o papel do Judiciário fluminense em crimes de grande repercussão que impactaram as leis nacionais.

Serviço
- Local do evento: Edifício Touring – Praça Mauá, Zona Portuária, Rio de Janeiro
- Programação em outubro: Palestra sobre Clarice Lispector e a concessão da cidadania brasileira no Museu da Justiça
- Programação em novembro: Palestra sobre crimes históricos e evolução jurídica no Museu da Justiça


