Entre risos e conflitos, Casamento Sesc Copacabana estreia explorando a vida a dois com improvisação e palhaçaria
O espetáculo Casamento Sesc Copacabana chega pela primeira vez ao Rio de Janeiro com uma proposta que mistura humor, improvisação e afeto. Em cartaz de 23 de abril a 3 de maio, no Sesc Copacabana, a montagem do Grupo Trampulim transforma a experiência do casamento em um jogo cênico vivo, imprevisível e profundamente humano.
Logo de início, a peça se apoia em um elemento potente: a própria história dos atores. Adriana Morales e Tiago Mafra dividem o palco e a vida há mais de 25 anos. Essa convivência real se torna matéria-prima para uma dramaturgia autoficcional, onde memórias, conflitos e cumplicidades surgem filtrados pela linguagem da palhaçaria.
Improvisação e afeto em cena
Dirigido pelo improvisador mexicano José Luis Saldaña, o espetáculo aposta no improviso como motor narrativo. Os palhaços Benedita e Sabonete conduzem a história sem roteiro fixo, criando situações em tempo real. Assim, cada apresentação se torna única, atravessada pela resposta do público e pelas escolhas do momento.
No entanto, a peça não romantiza o casamento. Pelo contrário, evidencia suas tensões. Amor e irritação, riso e frustração coexistem em cena. Essa dualidade aparece tanto nas ações quanto nas falas dos artistas, que exploram o cotidiano como um campo de pequenas batalhas e grandes decisões.
“Quem vive um casamento sabe que ele é feito de extremos: amor e ódio, lágrimas e riso. Pequenas batalhas cotidianas que, às vezes, têm o mesmo peso de grandes decisões”, afirma Adriana.
Tiago Mafra amplia essa ideia ao destacar o papel da escuta e da escolha na relação: o casamento, segundo ele, se constrói diariamente, mesmo diante das divergências. Esse pensamento atravessa toda a encenação, que propõe mais perguntas do que respostas.
Processo criativo e trajetória
A criação do espetáculo começou em 2022 e passou por diferentes etapas. Entre elas, uma imersão com o diretor, um ensaio aberto e uma residência artística em Portugal com o palhaço César Gouvêa. Esse percurso consolidou uma linguagem híbrida, que articula teatro de improvisação e pesquisa contemporânea em palhaçaria.
O resultado é uma obra que se mantém aberta. A cada sessão, novas camadas surgem. O improviso, nesse contexto, não é apenas recurso técnico, mas também uma metáfora para a própria vida a dois — onde nem tudo pode ser previsto.
Grupo Trampulim e a pesquisa do riso
Fundado em 1994, em Belo Horizonte, o Grupo Trampulim construiu uma trajetória sólida nas artes cênicas brasileiras. Com origem na Spasso – Escola Popular de Circo, o coletivo desenvolveu uma linguagem própria que combina circo, teatro, música e improvisação.
Ao longo de mais de três décadas, o grupo acumulou experiências nacionais e internacionais, passando por países como Canadá e Portugal. Além disso, mantém um repertório ativo e investe em formação artística, com oficinas e projetos contínuos. Em 2016, integrou o Palco Giratório, circulando por 31 cidades brasileiras.
Casamento marca a 21ª criação do grupo e reafirma sua principal característica: a relação direta com o público. Aqui, o espectador não é apenas observador, mas parte do jogo que sustenta a cena.
Oficina gratuita amplia experiência
Além das apresentações, o projeto “Encontro de Palhaçarias: Casamento e Oficina” inclui uma atividade formativa. A oficina “PalhaçaRIA perCURSO AFETAdo” acontece nos dias 28 e 29 de abril, com carga horária de 8 horas e participação gratuita.
A proposta é aprofundar a pesquisa sobre palhaçaria e improvisação, compartilhando práticas desenvolvidas pelo grupo ao longo de sua trajetória. As vagas são limitadas, o que reforça o caráter intimista da atividade.
Serviço
- Espetáculo: Casamento





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