A colheita do arroz nos campos de Valência inspira a celebração global de um dos pratos mais emblemáticos da Península Ibérica, agora recriado com o frescor dos frutos do mar.
O aroma marcante do açafrão aquecido e o estalo ritmado do fundo da panela anunciam uma tradição que atravessou séculos. Celebrado oficialmente em 20 de setembro, o Dia Mundial da Paella coincide com o período da safra do grão na região de Valência, na Espanha. Para marcar a efeméride internacional, o chef Diego Carrilho elaborou uma interpretação que une técnicas clássicas a ingredientes nobres do litoral.
Criada por trabalhadores rurais que precisavam de refeições nutritivas e práticas para sustentar as longas jornadas nos arrozais, a paella original levava ingredientes simples e disponíveis na região.

Das margens da Albufera às águas do litoral
A receita nasceu nas zonas rurais próximas à lagoa da Albufera, onde o cultivo introduzido no século 8 encontrou terreno fértil. Ao contrário da crença comum, a panela rasa batizada como paellera recebia inicialmente cortes de frango, coelho e vegetais da estação colhidos no campo. Com a expansão do preparo, a vertente marinera ganhou espaço ao incorporar a rica fauna marinha espanhola.
A versão assinada por Carrilho harmoniza sobrecoxa de frango com uma seleção generosa de camarão grande, lulas em anéis, polvo cozido, mariscos e mexilhões frescos. A base ganha corpo com um caldo concentrado obtido a partir do tostado das cascas e cabeças dos crustáceos, além de azeite extravirgem, pimentão assado e páprica doce defumada.
O mistério e a textura do socarrat
Mais do que uma simples combinação de proteínas e caldo, o ponto alto do preparo reside no controle do fogo. É nos minutos finais de cocção que se atinge o socarrat, a crosta dourada e crocante formada diretamente no fundo da chapa, considerada por cozinheiros e comensais a assinatura técnica definitiva de uma autêntica paella.
Além do apelo gastronômico, a estrutura do prato dialoga diretamente com os pilares da dieta mediterrânea, reconhecida pelo valor nutricional das gorduras benéficas e proteínas magras. Compostos como a crocina e o safranal, presentes no açafrão em estigmas, agregam propriedades antioxidantes ao caldo que rega os grãos de arroz.
Preparo da Paella de Frutos do Mar
- Rendimento: 10 porções
- Tempo estimado: 1h30
- Proteínas: 1 kg de camarão grande com casca, 1 kg de polvo cozido em pedaços, 500 g de lulas pequenas em anéis, 500 g de mexilhões frescos com casca, 300 g de mariscos limpos e 500 g de sobrecoxa de frango desossada
- Base e temperos: 1 kg de Arroz Espanhol Paella Tartana, 4 litros de caldo artesanal de camarão, 100 ml de azeite extravirgem, 300 g de tomate ralado, 300 g de cebola, 60 g de alho, 300 g de ervilha torta e 200 g de pimentão na brasa em tiras
- Finalização: 1 g de açafrão em estigmas, 40 g de páprica doce defumada, sal, pimenta-do-reino e salsinha fresca picada
O processo começa pela selagem rápida dos camarões e do polvo no azeite quente dentro da paellera. Na mesma gordura, doura-se o frango antes de formar o sofrito com cebola, alho, tomate e ervilha torta. A páprica e o açafrão entram diluídos no caldo fervente junto com a lula e o arroz espalhado de forma homogênea. Com o cozimento avançado, acomodam-se os mariscos e crustáceos na superfície até a formação da crosta inferior sob chama mais alta.
