Com um repertório consagrado e uma vida confortável, um dos nomes mais emblemáticos da música brasileira escolheu abandonar tudo aos 60 anos para viver um exílio voluntário e misterioso no Sul do país e no Uruguai.
O gesto radical que encerrou a trajetória pública de Antônio Carlos Belchior continua a provocar questionamentos e admiração. O cantor e compositor cearense teria completado 80 anos no dia 26 de outubro de 2026, mesmo ano em que sua obra máxima, o álbum “Alucinação”, atinge a marca de meio século de influência. Para documentar a década final de sua vida, o livro “Viver é Melhor que Sonhar – Os Últimos Caminhos de Belchior” chega novamente às prateleiras em uma segunda edição assinada por Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti.
Em parte, o astro buscou este caminho; em parte, foi conduzido a ele.

Mais de 10 mil quilômetros na rota do exílio
A publicação original de 2021 resultou de um intenso processo de apuração jornalística e vivência. Para refazer os passos do artista ao lado de sua companheira Edna, os autores percorreram extensas distâncias entre 2017 — ano do falecimento do músico — e 2019. A rota atravessou a fronteira em direção ao Uruguai, explorando Montevidéu, San Gregorio de Polanco e Artigas, além de retornar ao Brasil mapeando cidades como Sobral, Fortaleza, São Paulo, Porto Alegre e Santa Cruz do Sul.
Ao longo desse “road book”, mais de 150 pessoas foram entrevistadas para montar o quebra-cabeças dos anos de fuga. O relato expõe relações singulares com fãs perplexos, que frequentemente davam abrigo ao astro da MPB em suas casas sem compreender os reais motivos que o levaram àquela condição itinerante e despojada de bens e fama.
Memória atualizada e salto para as telas do cinema
A escrita profunda da jornada de estrada foi mantida sem alterações nesta segunda tiragem, coeditada pela Garota FM Books e pela Sonora Editora. O novo volume agrega, no entanto, um posfácio dedicado a atualizar o público sobre a preservação e os desdobramentos da memória do artista de 2021 até hoje. A capa foi repaginada por Renan Valadares e o livro conta agora com um texto na orelha assinado pela cantora Ana Cañas, importante intérprete de sua obra.
O rigor da pesquisa rendeu o Prêmio Profissionais da Música 2023 na categoria Biografia e pavimentou a entrada do projeto no audiovisual. Os direitos de adaptação foram adquiridos pela Urca Filmes, que também convocou os autores para a pesquisa de uma série documental prevista para 2027. O desdobramento mais imediato será o longa-metragem homônimo “Viver é melhor que sonhar”, com direção de Eduardo Albergaria, que tem sua estreia nos cinemas programada para dezembro deste ano.
Serviço
- Lançamento: Viver é Melhor que Sonhar – Os Últimos Caminhos de Belchior
- Data: 26 de outubro de 2026 (Segunda-feira)
- Horário: 19h
- Local: Livraria da Travessa Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97)
- Participação: Bate-papo com os autores mediado por Miguel Jost
- Detalhes: 248 páginas, 21 × 14 cm, Garota FM Books e Sonora Editora
- Preço de capa: R$ 85
