Na temporada de inverno 2026, os acessórios deixam de coadjuvantes e passam a conduzir a narrativa das coleções, com volume, textura e simbolismo.
Nas passarelas da Semana de Alta-Costura de Paris Inverno 2026, sapatos, bolsas e adornos assumiram papel central. A temporada foi marcada por escapismo, valorização do trabalho artesanal e referências à natureza e aos contos de fadas, resultando em peças com forte carga narrativa e presença visual.
“O luxo contemporâneo valoriza peças que contam histórias, despertam emoção e permanecem relevantes muito além de uma estação.”
Entre os movimentos mais evidentes, destacam-se o retorno das plumas, o uso de cores primárias e a estética lúdica. Casas como Chanel e Dior exploraram universos fantasiosos com pássaros, cisnes e flores, enquanto outras grifes apostaram em silhuetas dramáticas e referências à fauna para criar acessórios com apelo emocional.
Quando o acessório vira narrativa
O protagonismo dos animais apareceu em bordados, aplicações tridimensionais e estampas. A proposta vai além da estética: os elementos naturais funcionam como linguagem simbólica dentro das coleções, conectando fantasia e identidade.
Para Cris Lidório, fundadora e diretora criativa da Lustic, o movimento já vinha sendo absorvido pela marca. A coleção “Eterna Hebe: O Legado que Caminha”, inspirada em Hebe Camargo, incorpora plumas como símbolo de elegância e feminilidade, reinterpretadas em design contemporâneo.
Plumas, cor e emoção em alta
As plumas surgem como um dos sinais mais claros da temporada, presentes em desfiles de Balenciaga e Armani Privé. Ao lado delas, as cores vibrantes — especialmente os tons primários — reforçam uma estética expressiva, que rompe com a neutralidade e aposta no impacto visual.
A atmosfera lúdica também se consolida como eixo criativo. Elementos de contos de fadas e fantasia indicam uma busca por peças que evocam memória e emoção, refletindo um desejo crescente por acessórios com identidade própria.
No contexto brasileiro, essa leitura aparece de forma mais sofisticada no animal print, que segue sendo reinterpretado com ousadia. A tendência aponta para um consumidor interessado em peças afetivas, originais e duráveis — não apenas sazonais.




