Uma mudança de cidade revela muito mais do que um recomeço: expõe violência, desejo e um passado que insiste em sobreviver no presente.
O romance Lana, como eu odeio esses caras!, estreia de Arthur Simon, chega à Flip 2026 com uma história que combina descoberta afetiva, tensão política e elementos sobrenaturais. A trama acompanha Jéssica, adolescente que deixa Florianópolis para viver em Hortênsias, cidade fictícia do interior catarinense marcada por uma herança alemã e por relações sociais fechadas.
O encontro com Lana — vizinha de cabelo platinado, tatuagem de arco-íris e a capacidade de mover objetos com a mente — desloca o eixo da narrativa. O que começa como estranhamento vira afeto, ao mesmo tempo em que a protagonista percebe que há algo errado na cidade.
“Hortênsias é a prova de que os ideais nazistas ainda estão entre nós”
Entre o amor e o que a cidade tenta esconder
A narrativa se divide em duas frentes. De um lado, o relacionamento entre Jéssica e Lana, atravessado por descobertas sobre identidade e pertencimento. De outro, a investigação de um passado oculto: diários de 1942 revelam um amor proibido durante o Estado Novo, período marcado por repressão a imigrantes alemães e perseguição a homossexuais.
Esse passado não permanece enterrado. Ele reaparece na forma de uma organização extremista ativa na cidade, conectando o enredo a discussões contemporâneas sobre neonazismo e conservadorismo no Sul do Brasil — tema que o autor afirma fazer parte de sua própria vivência e pesquisa.
2008 como cenário emocional e político
Ambientado em 2008, o livro utiliza referências como Orkut, MSN e fóruns online para reconstruir um momento de transição digital. Esse ambiente serve como pano de fundo para uma narrativa híbrida, que mistura narração tradicional, bilhetes, posts e um diário integral, criando camadas de leitura.
A escrita, definida pelo autor como “cinematográfica e hiperestésica”, alterna tensão e intimidade. Em meio a isso, surgem frases que funcionam como eixo emocional da obra, como quando Lana diz: “A gente nasce do jeito que tem que nascer”.
O livro que responde a uma pergunta íntima
Arthur Simon, 32 anos, nasceu e vive em Florianópolis. Formado em Direito, atua como Analista Judiciário no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. A trajetória na escrita ganhou força a partir de 2023, com especialização em Escrita Criativa pela PUCRS e graduação em Letras na UFSC.
O romance surgiu, segundo ele, de uma imagem recorrente: duas meninas em uma floresta. A partir daí, construiu uma história que mistura cultura pop, política e afetos, com influências da literatura norte-americana e de autores como Carol Bensimon.
Mais do que suspense ou romance, o livro se posiciona como uma narrativa sobre escolha e permanência. “O lugar é aqui”, frase que atravessa a obra, sintetiza a ideia de permanecer e confrontar o que se tenta ocultar.
Serviço
- Roda de conversa – “Toda história começa com uma pergunta: Processos criativos, imaginação e os caminhos da escrita”
- Data: 24 de julho
- Horário: 12h
- Local: Casa Gueto, Centro Histórico de Paraty
- Sessão de autógrafos
- Data: 24 de julho
- Horário: 15h
- Local: Casa Gueto, Centro Histórico de Paraty



