Em Laranjeiras, o Estúdio Jimo guarda os bastidores de “Boa Noite Xangô” e “Minha Alma”, com encontros improváveis que moldaram a música brasileira.
O estúdio por trás de Nunca Tem Fim
Em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o Estúdio Jimo guarda histórias que não estão nos encartes dos discos. Idealizado por Marcelo Lobato, o espaço foi cenário de parte das gravações do álbum Nunca Tem Fim, d’O Rappa. Ali, entre testes, improvisos e decisões feitas no limite do tempo, nasceram algumas das faixas mais lembradas da banda.
Foi em meio à correria da produção que Tom Sabóia pediu a Marcelo uma indicação de compositor. A missão era colocar letra em duas músicas que só existiam como melodia cantarolada. A solução chegou de Pernambuco: Lula Queiroga, parceiro de Lenine, foi convidado para escrever os versos de “Boa Noite Xangô”. “Ele rapidamente escreveu a letra a partir da melodia, algo que não é todo mundo que consegue fazer”, lembra Lobato.
Lula passou pelo Rio, gravou uma voz guia e só conheceria o restante da banda anos depois. A música se tornaria uma das favoritas dos fãs, sem que seu autor soubesse, naquele momento, o quanto ela marcaria gerações.
Dois compositores, uma letra, nenhum contato
Outra faixa do álbum seguiu um caminho ainda mais improvável. Sem tempo para esperar, a produção também acionou Vê Domingos, compositor de Santa Catarina. O resultado foi “Auto Reverse”, construída a quatro mãos por autores que nunca haviam se falado.
Uma parte da letra é do Lula e outra do Vê. Mesmo sem trocarem informações, os textos se encaixaram perfeitamente. Um gesto de humildade dos dois.
Marcelo Lobato, idealizador do Estúdio Jimo
Enquanto as letras chegavam de diferentes pontos do país, o estúdio funcionava em múltiplas frentes. “Cheguei a compor os arranjos de teclado dessas músicas no escritório, onde havia outro sistema de Pro Tools, em meio ao entra e sai de pessoas. Um caos”, relembra Lobato.
O harmônio de “Minha Alma”
Nem toda história do Jimo nasceu da urgência. Algumas vieram do acaso, como o som do harmônio em “Minha Alma”, uma das faixas mais marcantes do álbum Lado B, Lado A. O instrumento foi encontrado em uma loja em Joinville, após indicação do técnico de som da banda, que acreditava se tratar de um órgão elétrico.
“Sempre me encantei pela sonoridade do harmônio. É um instrumento suave, com pouco ataque”, explica Marcelo. Movido a pedais, o instrumento foi incorporado espontaneamente à gravação. Na faixa, dá para ouvir até o ruído da pedaleira. Com uma estrela de Davi dourada na lateral e possível origem em um templo religioso, ele se tornou parte da identidade sonora do espaço. Para Lobato, é “a prata da casa”.
Um território de criação que se renova
Ao longo dos anos, o Estúdio Jimo recebeu artistas como Marcelo D2, Zeca Baleiro e Alceu Valença. O espaço reúne equipamentos analógicos e instrumentos clássicos, como mesa API, prés Neve e Hammond com Leslie, privilegiando timbre e organicidade sonora.
Agora, ao entrar em uma nova fase e abrir suas portas para colaborações, o Jimo não apresenta apenas estrutura ou equipamentos. Ele oferece histórias, e a possibilidade de que novas músicas nasçam ali, com o mesmo tipo de encontro, acaso e intensidade que marcaram as que vieram antes. Mais informações em www.estudiojimo.com.br e no Instagram @estudiojimo.
Serviço
- Estúdio Jimo
- Localização: Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
- Site: www.estudiojimo.com.br
- Instagram: @estudiojimo

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