Em “CUMULONIMBUS”, Rashid transforma duas décadas de vivência no Hip-Hop em um álbum de descarrego que pergunta, sem nostalgia: o que fez você se apaixonar pelo rap?
Mais do que um novo lançamento, o disco que chega às plataformas no dia 11 de agosto funciona como um convite para o rap reencontrar tudo aquilo que o tornou tão forte. São 15 faixas pensadas como ponto de contato entre memória e urgência, em que cada música tenta acender de novo a sensação de que uma canção pode mudar o rumo de uma vida.
O próprio Rashid sintetiza esse sentimento ao lembrar da energia que o acompanhava nos primeiros encontros com o gênero: “A gente se sentia capaz de tudo depois de ouvir um rap, capaz de mudar o mundo e de quebrar qualquer muro no peito. Eu desejo que todos possam ter acesso a essa chama também”. O álbum nasce dessa busca pela chama original, não como culto ao passado, mas como tentativa de manter vivo aquilo que ainda move tanta gente.
“Esse disco é também para lembrar que a nossa cultura não nasceu para ser apenas um produto, ela nasceu para mudar vidas.”
Há cerca de vinte anos, o encontro de um jovem com a cultura Hip-Hop ofereceu linguagem, pertencimento e horizonte. Em CUMULONIMBUS, Rashid volta a esse ponto de partida para observar como o rap se transformou ao longo do tempo e como ele próprio foi atravessado por essas mudanças. Cada faixa tenta responder, de forma direta ou indireta, à pergunta que orienta o disco: “o que fez você se apaixonar pelo rap?”.
Beat, rima e cronistas do tempo
Para construir essa experiência, Rashid posiciona no centro do álbum os elementos fundamentais do rap: beat, rima, colagens, samples e outros símbolos que formam a espinha dorsal do gênero. A ideia não é apenas revisitar fórmulas, mas lembrar por que esses recursos, quando bem usados, conseguem transformar a escuta em ferramenta de leitura de mundo.
Há em CUMULONIMBUS uma herança direta da escola dos grandes cronistas do rap brasileiro. Cada rima funciona como uma fotografia do seu tempo, capturando tensões, desejos e contradições que atravessam o cotidiano. Em vez de oferecer respostas fechadas, o disco se estrutura como convite à reflexão, insistindo na potência do rap como narrativa crítica.
Esse olhar se estende às parcerias. Ao longo das faixas, o álbum reúne nomes como Emicida, Projota, Luedji Luna, Kamau, Rael, Paula Lima, MC Neguinho do Kaxeta, Jota Ghetto, Slim Rimografia e Flavia K. São vozes que dialogam com diferentes momentos e vertentes da cultura, ampliando o campo de visão do projeto e reforçando seu caráter coletivo.
A tempestade chamada “CUMULONIMBUS”
O título do álbum faz referência às nuvens que antecedem grandes tempestades. Formadas pelo acúmulo de energia, as cumulonimbus anunciam que algo está prestes a acontecer. Rashid toma essa imagem como metáfora do próprio disco: um conjunto de inquietações, memórias e reflexões acumuladas ao longo dos anos, finalmente condensadas em um trabalho denso e urgente.
Nas palavras do artista, trata-se de “um álbum de descarrego”: o momento em que toda a energia acumulada encontra forma para se manifestar. Essa descarga não é apenas individual. Ao pensar o rap como experiência coletiva, Rashid aponta para o impacto que a cultura tem na vida de quem a encontra pela primeira vez e nunca mais consegue olhar o mundo da mesma maneira.
“Existe uma coisa difícil de explicar para quem nunca viveu isso: quando o Hip-Hop te encontra, alguma coisa muda para sempre. É como ser picado por um bicho que não te deixa em paz. Você passa a enxergar o mundo através dessa lente, e tudo o que faz carrega um pouco desse sentimento. Esse disco nasce dessa chama que continua acesa depois de todos esses anos”, comenta o rapper, reforçando o caráter visceral do projeto.
Defensores da Arte do Gueto
O lançamento de CUMULONIMBUS também marca o nascimento de Defensores da Arte do Gueto, movimento idealizado por Rashid. A proposta é criar espaços para encontros, ações e debates com quem acredita no potencial transformador da cultura e do Hip-Hop, buscando fortalecer vínculos e estimular conversas que vão além das métricas de consumo.
Ao lembrar que o Hip-Hop sempre foi, antes de tudo, uma experiência coletiva, o rapper desloca o foco do produto para o processo. Defensores da Arte do Gueto surge como tentativa de reaproximar artistas, público e ativistas em torno de uma mesma pergunta: como seguir cuidando de uma cultura que nasceu para mudar vidas, e não apenas ocupar prateleiras ou playlists?
Nesse sentido, o álbum funciona como ponto de partida e manifesto. Ao propor um retorno à base que estruturou o campo fértil do rap no Brasil, Rashid mira na sensação que ele próprio experimentou quando tudo começou: o instante em que uma música deixa de ser só música e passa a representar uma possibilidade concreta de vida e futuro.
“Em algum momento, senti que precisava devolver para a próxima geração um pouco daquilo que recebi. Não como alguém que tem todas as respostas, mas como alguém que continua fazendo perguntas.”
“Eu tenho um compromisso com a cultura que me deu terra firme para pisar. Tudo o que construí nasceu desse encontro com o Hip-Hop. Então, em algum momento, senti que precisava devolver para a próxima geração um pouco daquilo que recebi. Não como alguém que tem todas as respostas, mas como alguém que continua fazendo perguntas”, afirma Rashid, alinhando o discurso do álbum ao movimento que nasce com ele.
Duas décadas de narrativa em construção
Rashid é rapper, compositor, escritor e roteirista, reconhecido como uma das vozes relevantes do rap brasileiro. Ao longo de quase duas décadas, construiu uma trajetória marcada pela consistência artística e pela inquietação criativa, transitando entre música, literatura e audiovisual sem abrir mão do compromisso com a cultura Hip-Hop.
Sua obra reúne cinco álbuns de estúdio, três EPs, três mixtapes e centenas de apresentações no Brasil e no exterior. Nas plataformas digitais, o artista acumula mais de 650 milhões de reproduções e certificações como Platina Duplo e Diamante, resultado de um percurso que combina relevância artística e grande alcance de público.
Essa caminhada também se traduz em experimentação de formatos e linguagens. Rashid é autor do livro Ideias que Rimam Mais que Palavras, da HQ Soundtrack e de projetos que unem música, documentário, podcast e outras narrativas audiovisuais. Entre seus álbuns estão A Coragem da Luz, CRISE, Tão Real, Movimento Rápido dos Olhos e PORTAL, que ampliaram sua atuação como artista multifacetado, pensador e contador de histórias.
Ao longo da carreira, colaborou com nomes como Emicida, Mano Brown, Liniker, Lenine, Péricles, Duda Beat, Criolo e BK’, consolidando uma obra que combina reflexão social, inovação artística e identidade autoral forte. “CUMULONIMBUS” se insere nessa linha como mais um capítulo de uma narrativa em que o rap continua sendo ferramenta de leitura do mundo e, ao mesmo tempo, possibilidade de futuro.
Onde ouvir e acompanhar
“CUMULONIMBUS” chega às plataformas digitais em 11 de agosto. Para ouvir o álbum completo, o artista disponibilizou o link:
As letras das faixas podem ser conferidas em:
https://docs.google.com/document/d/1Xsv1hfvdN3xpqFBzvKfzpDpQQGb_wXt0_18qSRrenagg/edit?usp=sharing
Mais imagens relacionadas ao lançamento estão reunidas em:
https://drive.google.com/drive/folders/1gUXD02uKBHXd-TIS3LJnxiCRkINcjg9_
Nas redes sociais, Rashid segue compartilhando bastidores, reflexões e novidades sobre “CUMULONIMBUS” e seus demais projetos:
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