Depois de uma década nos palcos, o Trio de Vento leva ao streaming uma formação rara de três flautas transversais com a releitura de “Loro”, de Egberto Gismonti, que abre a trajetória fonográfica do grupo em 15 de agosto de 2026.
Três mulheres à frente de três flautas transversais. Assim o Trio de Vento, formado por Aurora Novello, Gisele Pilz e Nívia Martiny, chega às plataformas digitais com uma proposta pouco usual na música instrumental brasileira.
A estreia fonográfica acontece com a gravação de “Loro”, composição de Egberto Gismonti em homenagem a Hermeto Pascoal, informação confirmada por Bianca Gismonti, filha do compositor. A faixa estará disponível no dia 15 de agosto de 2026, com distribuição da Tratore.
Três flautas transversais ocupam o centro da cena e levam ao streaming uma sonoridade pouco comum na música instrumental brasileira.
O grupo escolhe começar sua discografia por um baião que aproxima elementos da música popular brasileira e do universo da música clássica. Ao recuperar “Loro”, o Trio de Vento enfatiza a interseção entre tradição e experimentação, eixo que vem guiando sua pesquisa artística ao longo dos últimos dez anos.
Formação rara com três flautas
Para esta gravação, o trio apresenta um arranjo inédito assinado por Marcelo Nadruz, pensado especificamente para duas flautas em dó e uma flauta em sol. A escolha da instrumentação amplia o campo tímbrico da formação e reforça o caráter de investigação sonora que marca o trabalho do grupo.
Enquanto as flautas em dó concentram boa parte das linhas melódicas e dos diálogos em registro médio e agudo, a flauta em sol se torna peça central na expansão da região grave. Essa configuração abre espaço para novos contrapontos e para um jogo de texturas que se afasta dos formatos mais comuns na música instrumental baseada em sopros.
Ao longo da faixa, as linhas melódicas circulam entre os instrumentos, construindo uma escuta de conjunto que depende do equilíbrio entre os registros. Há um trânsito constante de motivos, figuras rítmicas e variações de fraseado que reforça o caráter coletivo da leitura proposta pelo trio.
Lúdico, baião e rigor interpretativo
Na interpretação do Trio de Vento, o aspecto lúdico e dançante de “Loro” convive com uma construção que exige precisão de articulação, dinâmica e controle de fraseado. O baião, aqui, aparece tanto como ritmo quanto como estrutura que demanda atenção constante ao balanço entre as três vozes.
O jogo rítmico típico do gênero se traduz em deslocamentos sutis, acentos e variações que pedem unidade de ataque e respiração entre as flautistas. Cada mudança de densidade sonora, de volume ou de registro interfere diretamente na percepção do tema principal e de suas variações.
Ao mesmo tempo, o diálogo com elementos da música clássica se manifesta na forma como o arranjo organiza planos sonoros, contrapontos e desenvolvimento motívico. A leitura do baião de Egberto Gismonti mantém o vínculo com a música popular brasileira sem abrir mão de uma abordagem estrutural mais próxima da escrita de concerto.
O baião em homenagem a Hermeto Pascoal ganha nova vida ao ser atravessado por três flautas que alternam rigor interpretativo e liberdade rítmica.
Parcerias e início da discografia
A gravação de “Loro” reúne o Trio de Vento a outros nomes da cena instrumental. Adriano Magoo assina o piano e a produção musical, contribuindo para o desenho harmônico e para a condução geral da faixa. Já André Rass está à frente da percussão, sustentando o pulso do baião e acrescentando camadas rítmicas ao diálogo das flautas.
Com essa formação ampliada, o grupo inaugura oficialmente sua trajetória fonográfica. “Loro” integra um double single, cujo próximo lançamento será anunciado pelo trio, abrindo espaço para que a pesquisa dedicada às possibilidades tímbricas e rítmicas das flautas transversais circule também em formato de gravação.
A estreia em 15 de agosto de 2026 marca um novo capítulo para o Trio de Vento, que passa a somar sua produção à discografia recente da música instrumental brasileira. A distribuição pela Tratore coloca o registro ao alcance de ouvintes de diferentes contextos, ampliando o percurso iniciado nos palcos ao longo da última década.



