Após 40 anos, Sepultura lança EP final “The Cloud of Unknowing”, registro íntimo e poderoso que marca sua despedida definitiva
O Sepultura se despede dos estúdios com “The Cloud of Unknowing”, um EP que chega às plataformas digitais via ONErpm e marca o encerramento de uma das trajetórias mais influentes do metal mundial. Após mais de quatro décadas de carreira, a banda brasileira transforma o adeus em um registro cru, espontâneo e carregado de significado.
Enquanto percorre o mundo com a turnê final “Celebrating Life Through Death”, o grupo encontrou no estúdio uma forma de eternizar seu último momento criativo. O resultado é um trabalho que não busca grandiosidade artificial, mas sim autenticidade.
Um adeus construído no improviso
Gravado no lendário Criteria Studios, em Miami, o EP nasceu de um processo incomum: sem prazos, sem títulos e sem pressão. Durante dez dias, a banda simplesmente compôs e tocou.
“Nós arranjamos tudo diretamente no estúdio. Não havia pressão”, relembra Andreas Kisser. “Foi uma experiência incrível, e estou orgulhoso de que possamos lançar algo tão espontâneo e honesto.”
Essa liberdade criativa resultou em um trabalho diverso, que incorpora até influências jazzísticas, ampliando o espectro sonoro da banda em seu capítulo final.
O significado de “The Cloud of Unknowing”
O título do EP carrega uma referência filosófica e espiritual. Inspirado em um movimento cristão do século XIV, o conceito questiona a necessidade de intermediários para a conexão espiritual.
“É como se a gente estivesse lendo o menu para matar a fome”, explica Andreas Kisser.
A ideia ecoa no próprio projeto: direto, sem filtros e guiado pela experiência emocional — uma espécie de síntese artística da trajetória do Sepultura.
Faixas que refletem o mundo e a banda
Com quatro músicas, o EP percorre diferentes dimensões do som e da mensagem do grupo. A abertura com “All Souls Rising” traz força e crítica social.
“A ideia foi inspirada por uma rebelião de escravos no Haiti, mas também fala sobre união além de diferenças”, explica Derrick Green.
Já “The Place” aborda imigração e identidade, explorando a transformação emocional de quem busca recomeço em territórios hostis. A narrativa acompanha a própria evolução sonora da faixa, que cresce em intensidade.
Um dos momentos mais inesperados surge em “Beyond the Dream”, uma balada que foge do padrão clássico da banda. A faixa concretiza um desejo antigo do grupo e ganha ainda mais peso simbólico com a participação de Tony Bellotto e Sérgio Britto, dos Titãs.
“Eles são da família… é uma honra ter os dois num projeto do Sepultura”, afirma Andreas, destacando o encontro entre diferentes gerações do rock brasileiro.
Um legado que atravessa gerações
Desde sua formação em 1984, em Belo Horizonte, o Sepultura construiu um legado global. Com milhões de discos vendidos, 14 discos de ouro e apresentações em mais de 80 países, a banda se consolidou como o maior nome do metal brasileiro no mundo.
Mais do que números, o grupo redefiniu o alcance do gênero, incorporando elementos culturais brasileiros e abrindo caminhos para novas gerações.
Agora, com “The Cloud of Unknowing”, o Sepultura encerra sua jornada de estúdio com a mesma coragem que marcou sua história: experimentando, refletindo e mantendo a intensidade que o tornou referência.
Serviço
- Lançamento: “The Cloud of Unknowing”
- Artista: Sepultura
- Data: 24 de abril
- Formato: EP digital
- Distribuição: ONErpm
- Faixas: All Souls Rising; Beyond the Dream; Sacred Books; The Place

Gostou do nosso conteúdo?
Seu apoio faz toda a diferença para continuarmos produzindo material de qualidade! Se você apreciou o post, deixe seu comentário, compartilhe com seus amigos. Sua ajuda é fundamental para que possamos seguir em frente! 😊