Com a queda das temperaturas, dores no ombro se tornam mais frequentes e limitam movimentos simples, sobretudo em quem já convive com problemas na articulação.
Durante o inverno, tarefas rotineiras passam a exigir mais esforço. Pentear o cabelo, vestir uma camisa ou alcançar um objeto acima da cabeça pode se tornar desconfortável. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Dr. Eduardo Malavolta, o frio não causa doenças, mas intensifica sintomas já existentes.
O frio provoca contração muscular, reduz a flexibilidade e pode aumentar a dor em articulações já comprometidas
A explicação está em fatores fisiológicos e comportamentais. Segundo o especialista, a musculatura se contrai mais, os tecidos ficam menos flexíveis e há tendência à redução da atividade física. Esse conjunto favorece a rigidez e amplia a percepção da dor.
Quando o incômodo revela algo maior
Entre os diagnósticos mais associados ao aumento das queixas estão lesões do manguito rotador, tendinopatias, bursite, capsulite adesiva — conhecida como ombro congelado — e artrose. Em pacientes com essas condições, o frio evidencia ainda mais a limitação de movimento.
O alerta surge quando a dor se prolonga. Sintomas que persistem por semanas, interferem em atividades básicas ou interrompem o sono exigem avaliação especializada. Nesses casos, a recomendação é procurar um médico com atuação em cirurgia do ombro.
Movimento e calor fazem diferença
Manter o corpo ativo é uma das principais orientações da SBCOC. Exercícios ajudam a preservar a mobilidade e reduzem a rigidez muscular, enquanto o repouso prolongado tende a agravar o quadro.
Alongamentos, fortalecimento muscular e atividades de baixo impacto são indicados, sempre respeitando os limites individuais. O uso de roupas adequadas e compressas quentes, quando recomendadas, também contribui para relaxar a musculatura.
Evitar sobrecarga é outro ponto-chave. Carregar peso excessivo, repetir movimentos sem preparo ou permanecer muito tempo na mesma posição pode aumentar o desconforto e piorar a condição.
Tratamento depende da causa
O tratamento varia conforme a origem da dor e pode incluir fisioterapia, медикаções, mudanças de hábitos e programas de reabilitação. Em situações específicas, com lesões estruturais ou falha do tratamento conservador, a cirurgia pode ser necessária.
Segundo Dr. Eduardo Malavolta, o ponto central é o diagnóstico precoce. Identificar corretamente o problema aumenta as chances de controlar a dor, recuperar os movimentos e evitar a progressão das lesões.
Sobre a SBCOC
A Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC) é uma associação científica nacional, sem fins lucrativos, formada por médicos dedicados ao estudo das doenças ortopédicas dessas articulações.
Com 37 anos de existência, a entidade atua na difusão de conhecimento, incentivo à pesquisa e atualização profissional por meio de ensino e educação continuada.

